Num paredão em frente, a
seguinte afirmação: “Se a coisa tá muito ruim, é porque tá perto de melhorar”,
embaixo a figura de Bezerra da Silva, o compositor dos artistas periféricos.
Rostos desgastados promovem a textura classista da Central do Brasil. Homens e
mulheres de várias idades, porém, com algo em comum, a exploração e a
melancolia latente em sua aura. Fenômeno que às vezes me contamina diante da
passividade do cotidiano. Minha principal aspiração é, em meu “egoumbiguismo”, viajar sentado, torcida sempre em vão, devido ao enorme contingente de
trabalhadores e o transporte ultra precário que se decai, a cada dia.

Apesar do calor, a frieza é
mórbida. É o se sentir alijado, massacrado pelo sistema. Talvez, eles já tenham
sonhado um dia. Quem sabe. Hoje, são presos, sem paixão, sem vontade, sem vida.
Todos os dias, observo os rostos e a expressões de um a um, em sua tristeza, em
seu desgaste, em sua retidão. E ao adentrar-me no ônibus, percebo que essa é
principal tendência. Cansaço, desânimo, perda da vivacidade. Sintomas que são
diluídos em casa, com um banho e o sono. Sim, tenho medo de ficar como eles.